Aulas para 30 adolescentes, curso de informática, creches para 200 crianças, aulas de inglês, estágios que podem se tornar empregos, projeto educativo que ensina a importância do papel reciclado, atuação em 26 comunidades do Rio de Janeiro, isto é o NEAM (Núcleo de Estudo e Ação sobre o Menor), projeto social que comemora25 anos e vem durante todo esse tempo construindo um futuro mais promissor para milhares de jovens carentes.
O NEAM nasceu pela ação de professores da PUC-Rio, que achavam que uma grande universidade poderia, com a colaboração dos alunos, ajudar crianças e adolescentes de baixa renda. A professora e mestre em psicosociologia pela UFRJ, Marina Lemette Moreira, fundadora e diretora do NEAM, afirma que o mais importante do projeto é a inclusão social e a possibilidade de poder mudar o futuro de algumas crianças que poderiam seguir um caminho diferente.
— Temos dois prédios na Rocinha para cuidar das crianças e salas de aula na PUC para os adolescentes. Essas aulas são dadas pelos próprios alunos da faculdade.Se os alunos tiverem com dúvida em matemática, vem algum aluno que goste de matemática e tira as dúvidas deles. E o aluno que vem dar a aula não recebe nada em troca, ou melhor, recebe o carinho e o respeito dos seus alunos – exalta Marina.
Durante todos esses anos o NEAM passou a ser conhecido pelo governo do estado e fez convênios com diversas empresas. Um dos principais foi o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que permitiu principalmente a construção dos dois prédios na Rocinha. O curso de inglês Cultura Inglesa e o Clube de Regatas Flamengo cedem respectivamente aulas de inglês de graça e o ginásio poliesportivo.
Um exemplo do sucesso do NEAM é o cinegrafista Jorge Paulo de Araújo, 31 anos. Jorge estudava no Colégio Paula Brito, na Rocinha, quando o representante do projeto pediu que professora selecionasse alguns alunos. A partir daí ele teve sua vida transformada. Foi selecionado pela professora e começou sua história no NEAM. Jorge diz que teve muitas dificuldades e que chegou a pensar em desistir várias vezes, pórem sempre tinha amigos que lhe davam apoio e não deixavam (concordância/os amigos) ele desanimar.
— Eu entrei no projeto com 16 anos, estudava no colégio e depois ia pra PUC, só tinha tempo livre no final de semana. Às vezes olhava meus amigos da comunidade indo jogar bola, soltar pipa e eu tinha que ir estudar – comenta Jorge.
Hoje, depois de 15 anos “adotado” pela universidade, ele percebe o quanto foi bom ter se dedicado bastante. Ganhou de início um emprego no CETUC (Centro de Estudos em Telecomunicações) e agora é cinegrafista no Projeto Comunicar da PUC.
— O NEAM, para mim, foi uma oportunidade de vida. Se não fosse pela colaboração destas pessoas não sei o que eu seria hoje. Eu e um monte de amigos que trabalham aqui na universidade saímos de lá – diz, emocionado, Jorge.

